Escala de Turim

Planeta TerraA escala de Turim (ou escala de Torino) é um método que tem como objetivo classificar a probabilidade e a perigosidade de uma eventual colisão de um determinado asteróide ou cometa com o planeta Terra.

Sabemos que existe um número significativo de objetos celestes que passam relativamente próximos da Terra (são os chamados NEOsnear-Earth objects). Por vezes são veiculadas notícias através dos órgãos de comunicação social que apontam para a possibilidade de um embate de um asteróide ou de cometa com o nosso planeta. Quase sempre essas notícias são apresentadas de forma sensacionalista, sem grande rigor científico, e por vezes de forma catastrofista, sem que tal o justifique.

A existência de objetos celestes que cruzam a órbita terrestre é inegável, e existe algum risco de ocorrer um impacto. Aliás, a Terra diariamente é “bombardeada” com pequenas partículas que são destruídas na atmosfera terrestre, fenómeno esse que frequentemente acaba por produzir os meteoros (popularmente conhecidos como “estrelas cadentes“). Por vezes chega mesmo a acontecer a queda de um pequeno meteorito na Terra. Porém, a frequência da queda de corpos celestes de grandes dimensões capazes de nos causar graves danos é bem menor, pelo que tal cenário não nos deve alarmar em demasia.

A escala de Turim (ou escala de Torino) foi criada pelo professor Richard Binzel e apresentada pela primeira vez em 1995. Entretanto a escala já passou por algumas revisões até ter chegado à sua forma atual.

A escala de Turim tem vários níveis que vai do nível 0 até ao nível 10. É levado em conta a probabilidade de colisão e também a energia cinética. Os diversos níveis da escala de Turim são agrupados em diversas cores conforme a sua gravidade.

É importante referir que existe alguma subjetividade na atribuição de um nível a um determinado asteróide ou cometa. Frequentemente o mesmo corpo celeste passa de um nível para outro à medida que se conhece melhor a sua órbita.

Vamos então de seguida ver os diferentes níveis que existem na escala de Turim:

Sem perigo (branco)

Nível 0 – a probabilidade de colisão é 0, ou então é tão pequena que podemos considerar praticamente 0. Aqui também se incluem os objetos pequenos que acabam por se desintegrar na atmosfera, e também aqueles pequenos objetos que caem (pouco frequente) e que raramente causam danos.

Normal (verde)

Nível 1 – quando um corpo celeste passa relativamente próximo da Terra mas que se constata que a ocorrência de colisão é extremamente improvável. Os casos em que são atribuídos o nível 1, provavelmente mais tarde passarão a nível 0.

Merecedor de atenção por parte dos astrónomos (amarelo)

Nível 2 – quando um objeto passa relativamente próximo da Terra, merecendo atenção por parte dos astrónomos, mas cuja possibilidade de colisão é muito pequena. Geralmente estes casos acabam por passar para nível 0.

Nível 3 – aqui a probabilidade de colisão é de 1% ou mais. Essa colisão seria capaz de provocar uma destruição local. Estes casos normalmente acabam por passar para o nível 0.

Nível 4 – probabilidade de colisão de 1% ou mais. Esta colisão teria potencial para causar uma devastação regional. Nestes casos também é de se esperar que acabe posteriormente por passar para o nível 0.

Perigoso (laranja)

Nível 5 – uma aproximação de um objeto celeste que é de fato uma ameaça séria, e que pode provocar uma devastação regional. Aqui é necessária uma avaliação por parte dos astrónomos para se chegar a uma conclusão concreta.

Nível 6 – uma ameaça séria por parte de uma objeto de grandes dimensões, sendo ainda incerta a possibilidade de catástrofe global. É necessária uma avaliação por parte dos astrónomos para se chegar a uma conclusão concreta.

Nível 7 – um encontro muito próximo com um objeto de grandes dimensões que, se ocorresse neste século, representaria uma ameaça sem precedentes, ainda que uma catástrofe global fosse ainda incerta.

Colisões certas (vermelho)

Nível 8 – uma colisão certa, capaz de causar destruição localizada se o impacto for em terra, ou provocar um tsunami se for no mar. A média de ocorrências deste tipo é entre uma vez a cada 50 anos até uma vez a cada 1000 anos.

Nível 9 – uma colisão certa, capaz de provocar destruição em toda uma região se o embate for em terra, ou provocar um grande tsunami se for no mar. A média deste tipo de ocorrência é uma vez a cada 10.000 anos até uma vez a cada 100.000 anos.

Nível 10 – uma colisão certa, capaz de provocar uma catástrofe climática global que pode ameaçar a civilização tal como a conhecemos, seja o impacto na terra ou no mar. Tal ocorrência pode ocorrer em média uma vez a cada 100.000 anos, ou ainda menos frequente que isso.

Até à data deste artigo, o asteróide Apophis é quem detêm o recorde do nível mais elevado que foi atribuído na escala de Turim. Em Dezembro de 2004 pensou-se que o asteróide Apophis tinha uma probabilidade de até 2,7% de embater na Terra em 2029. Nessa altura foi atribuído o nível 4 desta escala, porém foi por pouco tempo. Ao se observar e conhecer melhor a órbita do asteróide Apophis, o risco de colisão com este asteróide passou para o nível 1, devido à possibilidade de colidir com a Terra em 2036. Essa classificação manteve-se até Agosto de 2006. Depois disso passou para o nível 0, ou seja, pelo conhecimento atual tudo indica que não existe praticamente nenhuma possibilidade deste asteróide colidir com a Terra, tanto para 2029 como para 2036.

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