Reflexão: Deus e a astronomia

EstrelasEste artigo é um pouco diferente daquilo que tem sido o habitual neste site. Os artigos que têm sido escritos abordam os mais variados temas dentro da astronomia, tais como estrelas, planetas, cometas, entre muitos outros. Porém, este artigo pretende servir de reflexão quanto à relação entre ciência e a fé. Este é um assunto muitas vezes debatido, e como tal merece uma reflexão séria e honesta. Dada a sua importância e o interesse que tem gerado, trago este assunto aos leitores deste site. Muitas pessoas têm afirmado que existe necessariamente uma contradição entre ciência e fé, mas uma análise mais aprofundada permite demonstrar que não é assim. Fé e ciência são compatíveis, e é disso que vamos falar neste artigo.

A ciência é a melhor forma de explicar o nosso mundo físico, desde a menor das partículas subatómicas até aos gigantescos grupos de galáxias que existem no Universo. Este site trata disso mesmo, das fascinantes descobertas que a astronomia tem nos proporcionado, permitindo que tenhamos um conhecimento cabal sobre o Universo que nos rodeia. A ciência então lida com a realidade física, este é o seu campo de estudo.

Por outro lado, Deus é concebido como um ser imaterial, aquele que deu origem ao Universo. Entendendo o Universo como o conjunto de toda a realidade física, Deus como Criador dessa realidade física, não pode ser portanto um ser físico. Aqui estamos a entrar no campo da teologia, que é o estudo sobre Deus.

Posto isto, podemos verificar que quanto à existência de Deus, a ciência não tem a última palavra. Se a ciência lida com a realidade física, e Deus não é um ser físico, então Deus não está no campo de estudo da ciência.

Porém, em relação a Deus, não se trata apenas de acreditar sem evidências. Muitas são as evidências dedutivas que apoiam a ideia de Deus existir, evidências essas que de fato são bastante válidas. A título de exemplo, podemos referir o argumento cosmológico, o argumento teleológico, o argumento moral, entre muitos outros bons argumentos. Não nos vamos aqui debruçar nestes argumentos, pois o objetivo a que me proponho agora é mais modesto: demonstrar que não existe qualquer incompatibilidade entre a ciência e a fé.

Obviamente que, quando se é admitida a validade da fé, não significa que seja fé em qualquer coisa. Tal como na ciência, em que se busca pela verdade objetiva sobre o funcionamento do Universo, as questões teológicas requerem respostas objetivas, que não dependem da opinião de cada um.

Com alguma frequência, encontramos na internet sites sobre ciência que defendem uma visão ateísta do mundo, querendo passar a ideia que a ciência apoia o ateísmo. Apresentam a falsa ideia que apenas podemos encontrar a verdade apenas na ciência, e não na ciência e em Deus simultaneamente. Depois apresentam casos de charlatanismo; ou de situações em que se acreditava existir intervenção sobrenatural, quando na realidade a explicação era bem mais simples e deste mundo. Apresentam esses casos e acabam por generalizar para todos os casos onde existe fé. Este tipo de raciocínio é tão errado, como seria errado negar a validade de toda a ciência devido à existência de algumas teorias científicas erradas, e de casos de charlatanismo feitos em nome da ciência. Assim como existe fé em coisas erradas, existe também confiança em teorias científicas que estão erradas. Mas nada disso impede a existência de fé verdadeira e de ciência verdadeira.

Portanto, afirmar que a ciência suporta o ateísmo, é uma visão muito pouco esclarecida da realidade.

Por outro lado, muitos astrónomos passaram a admitir a existência de Deus ao observarem a complexidade do Universo, e ao descobrirem que as leis e as constantes físicas estão calibradas de tal forma que uma minúscula alteração nestas constantes físicas, inviabilizaria a existência de vida no Universo. Isso os faz suspeitar da existência de um Criador. Aqui estamos a falar muito resumidamente no argumento teleológico atrás mencionado, que é apenas um entre muitos argumentos.

Para além disso são muitos os nomes ligados à astronomia que são cientistas brilhantes, e que ao mesmo tempo acreditam em Deus. A título de exemplo podemos mencionar nomes sonantes na História da astronomia que acreditavam em Deus: Galileu Galilei, Kepler, Isaac Newton, entre muitos outros.

Na realidade a ciência responde à questão: “como?”. A existência de Deus responde à questão: “porquê?”. Estes dois campos são perfeitamente compatíveis.

“Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.” Sal 19:1

“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como sua divindade, se entendem, e claramente se veêm pelas coisas que estão criadas…” Rom 1:20

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